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JÁ AGORA, NÃO SE PODE EXTERMINÁ-LOS?
SOBRE A REPRESENTAÇÃO DOS PROFESSORES EM MANUAIS ESCOLARES
DE PORTUGUÊS*
Rui Vieira
de Castro
(Universidade do
Minho)
1.
Os manuais escolares são objectos particularmente complexos, característica
para que contribuem decisivamente a rede de relações intertextuais
em que estão posicionados, a natureza plural dos seus destinatários,
a multiplicidade de objectivos que a sua utilização persegue,
o tipo de condicionalismos que marcam a sua produção e difusão.
Transpondo, com as necessárias adaptações, o princípio
bernsteineano de que a linguagem é a expressão visível
das relações sociais, direi ser teoricamente defensável
o princípio de que a análise do manual, de um manual, permitirá
aceder, desde que usada a instrumentação adequada, às
características dos diversos factores que o configuram.
A complexidade destes objectos, que Choppin sistematiza atribuindo-lhes
marcas de objectos pedagógicos, culturais e de produtos de consumo,
suscita naturalmente múltiplos olhares que neles podem privilegiar
diferentes dimensões, relativas às funções
culturais, ideológicas e pedagógicas que podem desempenhar.
O currículo, é sabido, resulta sempre de operações
de selecção de cultura; numa dada sincronia, e de entre
o conhecimento disponível, são realizadas escolhas; e nestas
escolhas os manuais escolares têm uma importância fundamental
na conformação das formas e dos conteúdos do "conhecimento
pedagógico". Assim sendo, os manuais escolares podem ser descritos
em função dos conhecimentos que comportam e dos princípios
que subordinaram as inclusões e exclusões que realizam.
Sendo os manuais escolares um repositório dos conteúdos
legitimados na escola e para a escola são, em simultâneo,
uma tecnologia para a transmissão daqueles, integrando aspectos
relativos à sequência e ao ritmo da sua transmissão
através, por exemplo, das actividades que propõem e dos
modos de avaliar as aquisições realizadas; neste sentido,
desempenham, importantes funções pedagógicas. Olhados
por este ângulo, eles podem permitir aceder ao conhecimento da "ideologia
pedagógica" subjacente, do modo como é entendido o
processo de "transmissão" e "aquisição"
que tem lugar na aula e do "papel" que nele é reservado
aos alunos e aos professores.
As funções pedagógicas e culturais que os manuais
realizam não são, por outro lado, dissociáveis da
sua natureza de "bem de consumo"; algumas das opções
tomadas por autores e editores, as múltiplas estratégias
de sedução que são desenvolvidas, não podem
ser desarticuladas das características do "mercado" em
que têm que concorrer, radicando mais em preocupações
comerciais do que pedagógicas, e das características do(s)
público(s) alvo.
Em suma, são múltiplas as formas de falar dos manuais escolares.
2.
A perspectiva que adopto neste texto é duplamente restritiva. Em
primeiro lugar, o trabalho de análise que pretendo desenvolver
é realizado sobre um único manual; depois, a pesquisa está
centrada em apenas uma das funções que elenquei - a função
pedagógica - e, dentro desta, na representação que
é produzida de um dos utilizadores principais do manual escolar
e seu primeiro destinatário - o professor. Deste ponto de vista,
o estudo é afectado pelas virtualidades e pelas debilidades imputáveis
aos "estudos de caso". Ainda assim, é minha convicção
que um estudo com estas características permitirá evidenciar
alguns dos princípios constitutivos do manual escolar - qualquer
manual reenvia para um quadro de produção, circulação
e recepção que afecta todos os textos deste tipo; por outro
lado, possibilitará a testagem de um quadro analítico e
das categorias correspondentes.
Assim, os objectivos deste trabalho são de natureza dupla, relacionados
com a construção de um dispositivo analítico, por
um lado, e com a produção de informação, que
se pretende significativa, acerca de determinadas estratégias do
manual escolar, por outro. Com esta intenção seleccionei
para análise o manual Português de palavra 7, selecção
sobretudo motivada pelo carácter inovador, de "manual integrado",
de que o texto aparece investido.
3.
Os "livros de Português", expressão que aqui utilizarei
para me referir ao manual nuclear da disciplina, tendem hoje, com cada
vez maior frequência, a ser acompanhados de textos "satélites"
- cadernos de apoio, cadernos de exercícios, livros do professor,
fichas de avaliação, por exemplo - que funcionam oram como
enquadradores, ora como complementares relativamente àquele primeiro
texto, que assim passa a funcionar como núcleo de um corpus textual
vasto.
O que o texto que agora analiso tem de curioso é que ele pode ser
entendido como indicador de um movimento de reconceptualização
do "livro de Português": se há trinta anos a antologia
era o manual e, em larga medida, os manuais se limitavam à antologia,
foi-se assistindo, com maior incidência durante os últimos
vinte anos, a uma progressiva complexificação deste dispositivo
pedagógico; movimento este que, na sua génese, me parece
não poder ser dissociado das tentativas de inovação
ou de renovação pedagógica nem, num outro sentido,
da progressiva generalização de uma escola de massas, com
as correspondentes dificuldades ao nível do recrutamento dos professores;
agora, anuncia-se um outro movimento, que não sendo de refluxo
porque toda a parafernália para-escolar aí continua bem
visível, pode ser caracterizado pelo investimento do "livro
de
" de um leque de funções que o desenham como
texto "totalizante" - o "livro de Português"
é antologia escolar, é gramática escolar, é
caderno de actividades, em suma, o livro de Português é,
e é-o também para o professor, a disciplina de Português.
Nessa perspectiva, estes textos apresentam-se como lugares excelentes
para aceder à compreensão do que são as disciplinas
escolares, as práticas que as constituem e os papéis que
as desenham, os princípios que as regulam.
4.
Os manuais escolares são textos de utilização preferencial
pelos alunos - nas suas "actividades", nos seus "enquadradores
discursivos", nos seus "textos de endereçamento"
são os alunos que elegem como destinatários; mas este é
um destinatário de segundo nível, porque o primeiro é,
obviamente, o professor que é quem decidirá sobre a sua
adopção ou não; aliás, este destinatário
emerge frequentemente em notas de abertura que precisamente o seleccionam
como leitor primeiro; pode acontecer, para lá disto, a ocorrência
de comentários, de sugestões, de observações
que só ganham sentido se concebermos o professor como leitor ideal
deste tipo de textos.
Logo na contracapa do livro que agora analiso somos informados que estamos
perante um tipo particular de manual - o "manual integrado";
este conceito, é-nos explicado, "introduz uma nova concepção
do exemplar do professor. Em tudo idêntico ao exemplar do Aluno,
o Manual Integrado do Professor distingue-se pela existência de
uma banda lateral em cada página, onde se encontram informações
exclusivas para os professores, como, por exemplo, objectivos do programa,
sugestões de actividades, sugestões metodológicas
e soluções, entre outras." Isto é, o manual
do professor é o manual do aluno, acrescentado; e acrescentado,
em primeira instância, a aceitarmos que a ordem por que ela surge
não é arbitrária, por informação "fundamental",
relacionada ora com as orientações gerais da disciplina
oficialmente prescritas, ora com orientações metodológicas.
A minha hipótese, aqui, é a de que a natureza daqueles "acrescentos"
nos dará informação preciosa acerca de quem é
este professor que se idealiza e, portanto, acerca da forma como são
pensados os sujeitos empíricos que lhe deverão corresponder,
tarefa tanto mais sedutora quanta a vastidão do programa que o
enunciado de informações deixa pressentir. Na verdade, o
"guia do professor" pode ser visto como comportando as informações
necessárias e suficientes para o professor aplicar o manual ou,
pelo menos, pertinentes para aquela finalidade. São também,
implicitamente, as informações que se considera não
serem imediatamente acessíveis pelo professor ou, então,
aquelas que se julga que ele não tem imediatamente disponíveis.
5.
Consideremos, pois, a natureza do conteúdo do "guia do professor".
Utilizarei para a sua descrição um conjunto de categorias
situadas ao longo de um continuum que num dos seus pólos aglutina
a informação mais imediatamente dependente do livro do aluno,
aquela que diz respeito à resolução dos exercícios
que os alunos devem resolver, e que no outro pólo agrupa a informação
mais independente daquele - a que se refere a aspectos organizativos do
manual; colocarei em pontos intermédios, numa direcção
que traduz sucessivas aproximações à menor regulação
da prática pedagógica, sugestões de actividades,
textos de apoio e a fundamentação das actividades propostas.
5.1. Contrariando o implícito
da valorização da informação "fundamental",
um dos tipos de conteúdos que mais frequentemente ocorrem no "guia
do professor" é constituído pelas respostas às
perguntas dirigidas aos alunos, surgindo pois na imediata dependência
do trabalho pedagógico que àqueles é solicitado.
Aqui se incluem soluções para questões de natureza
interpretativa e que visam, por exemplo, a localização espacial
ou temporal de uma acção (p. 108), a identificação
de metáforas ou comparações (p. 115), o reconhecimento
de relações intertextuais (p. 138), a indicação
das divisões em partes dos textos (pp. 102-107), a transcrição
de passagens textuais que ilustram um sentido determinado (p. 201). Também
frequentes são as respostas às inúmeras actividades
orientadas para a promoção do conhecimento formal sobre
a língua, vulgo "gramática"; podem as soluções
ser relativas à forma de modificar a pontuação de
uma frase para gerar frases semanticamente distintas (p. 47), à
transformação de frases simples em frases complexas (pp.
83, 86), à indicação de hipónimos e hiperónimos
(p. 91), à classificação morfológica de uma
palavra (p. 123), ao significado de expressões idiomáticas
(p. 129), à indicação de sinónimos (p. 133),
aos modos de construção de famílias de palavras (p.
141). Com este tipo de informação se articula intimamente
uma outra, relativa ao conhecimento sobre os textos, e que comporta respostas
a perguntas relacionadas, por exemplo, com os elementos da estrutura de
uma notícia (p. 184), com a identificação de marcas
da presença do narrador (p. 216), com a explicação,
por referência ao texto, de conteúdos no domínio da
narratologia (p. 87).
Em qualquer caso, o que a este nível surpreende o leitor avisado
é a banalidade de todo este conhecimento que se considera útil
disponibilizar para o professor; que assim aparece representado como estando
destituído daquilo que constitui conhecimento especializado básico.
No extremo, e num outro plano, esta tendência leva os AA. do Português
de Palavra a explicar que existem meios de comunicação como
o fax, o telemóvel ou o bip
(p. 177). O que se prefigura,
assim, são sujeitos não só com um reduzido conhecimento
do mundo, como incapazes de aceder a formas de o expandir. Por outro lado,
o que assim também se revela é o reducionismo das concepções
do que vale como leitura de textos ou como conhecimento sobre a língua.
5.2. Um segundo grupo de conteúdos
do guia do professor está relacionado com sugestões de actividades,
de ocorrência aliás episódica, e que podem assumir
uma forma mais globalizante ou mais indicativa. No primeiro caso cabe
a recomendação de actividades de leitura comparada de textos,
apresentada como possibilidade para assegurar a distinção
entre o "literário" e o "não literário"
(p. 95), as sugestões de procedimentos metodológicos para
acorrer a erros dos alunos (p. 34) ou, enfim, fichas de avaliação
ou de auto-avaliação dos alunos (p. 77). Na segunda perspectiva,
pode ser proposta uma determinada "sequência" de conteúdos
(p. 16), podem ser indicadas actividades de "motivação",
sob a forma de apresentação de textos para serem lidos/ouvidos
com os alunos (p. 39), podem ser disponibilizados materiais necessários
ao desenvolvimento de actividades (p. 19).
5.3. O manual integra também,
um conjunto de textos de natureza variada que, presumivelmente, se pretende
que funcione como "material de apoio" para o professor. Aqui
cabem as biografias, ou melhor, biobibliografias dos autores seleccionados,
recuperadas muitas vezes a partir das próprias obras de onde os
trechos foram retirados (Teófilo é apresentado a partir
de informação contida numa edição dos Contos
Tradicionais), mais comummente do Dicionário de Literatura dirigido
por J. Prado Coelho (Rodrigues Miguéis, João de Deus, Sebastião
da Gama, entre outros), outras vezes sem qualquer indicação
de fonte (casos de Vergílio Ferreira e de António Gedeão).
De natureza semelhante são as transcrições de textos
críticos, capazes, presume-se, de sustentar o trabalho sobre os
trechos incluídos no livro do aluno, frequentemente, notas dos
próprios autores/compiladores dos textos de "base" -
veja-se, por exemplo, a transcrição das notas de Garrett
sobre um romance do Cancioneiro (p. 120).
O que mais uma vez surpreende é a trivialidade da informação
fornecida. E, ao mesmo tempo, o facto de por esta forma se hipotetizarem
como inacessíveis (ou dispensáveis, tanto faz) para os professores
obras de referência e textos críticos que deveriam constituir
instrumentos básicos de trabalho.
5.4. A fundamentação
das actividades propostas constitui um outro núcleo informativo
do "guia do professor". Este pode ter lugar por referência
aos programas escolares (p. 25). O interessante, aqui, é procurar
saber se estamos perante lugares de explicitação dos mecanismos
de reprodução que actuam no interior do campo pedagógico
- isto é, o manual diz aquilo que o programa diz que deve ser dito
-, se enfrentamos dispositivos de legitimação - o manual
é válido à luz daquilo que o programa estabelece
- ou se, um pouco ao revés de tudo isto, não estaremos apenas
perante uma "máscara retórica" - o que significa
a não correspondência entre o que se diz que se faz e aquilo
que, de facto, se faz.
5.5. Finalmente, encontramos
informação relativa a aspectos organizativos do manual.
As informações dizem respeito, entre outros aspectos, às
opções tomadas relativamente às obras de leitura
integral e à apresentação de guiões de leitura
(p. 7), à funcionalidade de determinados dispositivos do manual,
por exemplo, as fichas de avaliação diagnóstica (p.
11), à justificação das características das
actividades (p. 116), à defesa da qualidade dos textos (p. 63).
Lugares por excelência de explicitação das concepções
dos AA., estes são lugares do texto caracterizados pela assistematicidade
e pela contenção.
6.
De caminho, poder-se-iam anotar, a título meramente exemplificativo,
algumas características dos núcleos informativos atrás
referidos, pelo curioso da sua natureza, pelo que significam de concepções
sobre o que é ensinar português, ou tão só,
pelo bizarro do seu conteúdo.
A determinada altura, numa secção intitulada Aplica os teus
conhecimentos, é pedido aos alunos que indiquem "as palavras
que estão na origem destas siglas: CGTP, UGT, BCG, ONU, RTP, GNR";
ao lado, o Guia do Professor ensina, por exemplo, que RTP significa Rádio
Televisão Portuguesa e que GNR vale por Guarda Nacional Republicana,
mas não Grupo Novo Rock, como se poderia presumir. Sendo pedida
aos alunos a procura de informação acerca da Dinamarca,
diligentemente, o Guia do professor informa, entre outras coisas, que
a sua capital é Copenhaga, que a língua é o dinamarquês,
a moeda a coroa e a organização política, a monarquia
constitucional. Num outro plano, a p. 50 o professor é informado
sobre o programa da sua disciplina, através da transcrição
de extractos. Uma vez mais, a presunção de um conhecimento
limitado, seja conhecimento do mundo seja, mais particularmente, conhecimento
profissional.
Pode o professor que é "guiado" sê-lo em perfeita
contramão; a propósito de um dos textos de leitura integral,
a Fuga de Wang-Fô, de M. Yourcenar, interrogam-se os alunos: "A
dimensão do palácio é-nos revelada pelo tempo que
demoraria a atravessá-lo. Retira do texto a indicação
que a este respeito nos é dada"; consultado o guia do Professor,
este convoca a seguinte passagem do texto: "As portas giravam sobre
si próprias emitindo notas musicais e o seu encadeamento era de
forma a permitir que quem atravessasse o palácio do nascer ao pôr
do sol ouvisse a escala toda"; uma lamentável confusão
entre referentes espaciais e temporais.
7.
Poder-se-á sempre argumentar que este não é um texto
representativo, que ele não é "exemplar" relativamente
àquilo que são as práticas discursivas dominantes
ao nível dos manuais escolares. Diria, a este propósito,
que a editora é a editora que é, uma das líderes
do mercado da edição escolar em Portugal, e que estes autores
e os seus manuais aparecem com alguma frequência referida como dos
mais "populares". Assim sendo, julgo possível retirar
algumas ilações relativamente a certos tipos de representação
dos professores, do seu conhecimento profissional e dos modos de construção
desse conhecimento. E a este propósito - e esta foi a linha de
leitura aqui adoptada - o diagnóstico que implicitamente se faz
é devastador: aos professores devem ser dadas as soluções
das operações interpretativas que são solicitadas
aos alunos; aos professores devem ser dados a conhecer os significados
de certas palavras ou expressões; aos professores devem ser fornecidos
dados elementares sobre o funcionamento da língua; aos professores
deve ser dito qual o programa da disciplina; aos professores deve ser
garantido um conhecimento básico sobre o mundo. Claro que tudo
isto pode ser levado à conta de um objectivo que seria a facilitação
da tarefa do professor; o que não deixa de ser surpreendente é
a natureza dos saberes sobre os quais se actua. O que isto revela também
é a concepção de um inesperado grau de desprofissionalização
dos professores, que assim vêem alienada uma parte significativa
das suas decisões profissionais especializadas. Facto que acentua,
ainda mais, a necessidade de submeter a escrutínio sistemático
textos desta natureza. Como condição para que os professores
não sejam, de facto, exterminados.
Nota
* Texto produzido no âmbito do Projecto Estatuto, funções
e história do manual escolar, financiado pela Fundação
para a Ciência e a Tecnologia (PCSH/C/CED/868/95), já publicado
em Rui V. de Castro, Angelina Rodrigues, José L. Silva e Mª
de Lourdes D. Sousa, orgs. (1999). Manuais escolares. Estatuto, funções
e história. Actas do I Encontro Internacional sobre manuais escolares.
Braga: Univ. do Minho.
Bibliografia
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BERNSTEIN, Basil (1998). Pedagogia, control simbólico e identidade.
Madrid/Coruña: Morata/Paidea.
CHOPPIN, Alain (1992). Les Manueles scolaires. Histoire et actualité.
Paris: Hachette.
JOHNSEN, Egil (1993). Texbooks in the Kaleidoscope. A critical survey
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Press.
Sousa, Mª de Lourdes Dionísio de (1997). "A construção
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RODRIGUES, Angelina (1996). "A leitura de literatura no ensino secundário:
estatuto e funções dos livros para-escolares". Revista
Portuguesa de Educação, 9 (2).
2.
COSTA, Fernanda & CASTRO, Rogério (1998). Português de
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