Tratados


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1617 Julho, 5 - Apógrafo do Tratado de Pero Menino, falcoeiro de D Fernando, a quem o rei encomendou a elaboração de uma obra sobre Falcoaria. O manuscrito original do século XIV perdeu-se conhecendo-se actualmente apenas as cópias do século XVII, entre as quais a mais fidedigna é o exemplar da Biblioteca Nacional de Lisboa .

Biblioteca Nacional de Lisboa

"[…] Dom Fernando pela graça de Deus Rey de Portugal e dos Alguarves mandou a Pero Minino, seu falcoeiro, que lhe fizesse hum livro de falcoaria no qual fosse escrito e declarado todas as doenças dos falcões e os nomes dellas, en que maneira se seguião e que sembramte faz o falcão ou ave a cada dor, eper que a o caçador deva conhecer, e per que guiza se deve curar e que mezinhas lhe devem ser feitas e per que guiza outrosy dos embargos, que às aves vem das feridas abertas, e como hão de ser cozeitas ou não, ou doença que não são abertas e que compre que se abrão, e per que guiza devem ser abertas, e que soldas e que unguentos devem daver, e das pernas quebradas e das asas, e que emprastos hão mister, e per que guiza hão de ser liados, de guiza que a liadura seja firme. E logo en esta tavoa que se adiante segue, escrevi as dores que pude e soube conhecer; outrosy declararey en tal maneira que cada caçador, que desta arte queira uzar, possa ser mestre de curar sua ave; e na segunda tavoa sam postas as soldas e mezinhas que às dores são compridouras [...]"

Tavoa dos capitolos das dores dos Falcões

1º Capitolo da aguoa vidrada
2º Das gorzemas (gosma)
3º Do papo do falcão que he cheo de vento
4º Dos regeitos velhos
5º Do embuchamento do bucho
6º Das lombrigas que são geradas no bucho
7º Das lombrigas que são chamadas firlandas
8º Da pedra
9º Da fistola
Xº Do proido que o falcão ha nas pernas [e] çomcas
XIº De quando sai a unha do falcão do dedo
XIIº Dos cravos
XIIIº Dos pés inchados
[…]

 

Tavoa das mezinhas e soldas que sam compridoiras em emfermidades dos falcões e das outras aves caçadoras

maminha
a zargatoa
semente dalforfes
solda raca
sangue de dragão
azevar secotrim
acevar patico
mastiz
agaces
açucar branco
açucar candil
açafão
erva lombrigueira
çumo de codesso
çumo de piponela
azinharve
hua erva que chamam deucar
semente de erva mendinha
çumo do funcho
incensso
almecega
pedra sanguinea
cravos girofes
canela
flor de canela
espique
noz da India
alcatira
alosna que resoperi
sabão francês
alvaiade
trementina
enxunda de garça
sinza de vides
cevo de carneiro
azeite
inguento cetrino
catanez
azora

 

1616 – Portada do tratado de Diogo Fernandes Ferreira, intitulado A Arte da caça de Altaneria, impresso em Lisboa e dedicado a D. Francisco de Mello, Marquês de Ferreira e Conde de Tentúgal.

Biblioteca Nacional de Lisboa.

"Quando me dispuz a escrever esta sciencia da caça de altaneria, meu principal intento foi mostrar aos meus naturaes uma arte com a qual fugissem à ociosidade, e os príncipes e senhores tivessem homens scientes e praticos que os soubessem n’ella servir com satisfação e agradar com experiencia."

 

1844-1853 –Traité de Fauconnerie dos autores holandeses H. Schlegel e A. H. Verster de Wulverhorst que encerra esta mostra documental. As reproduções das gravuras que apresentam as várias espécies de falcões utilizadas nesta exposição são aguarelas de Wolf, conservadas, actualmente, no Museu de História Natural de Paris e elaboradas para ilustrar esta publicação oitocentista de uma arte plurissecular.

Museu de História Natural de Paris.