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Espécies nobres da Cetraria Clássica As aves de caça constituem um grupo de espécies com características bem definidas que em linguagem cetreira recebem o nome de "aves nobres". A natural faculdade para apresar, a agressividade, a valentia, a velocidade e a força, são alguns dos atributos das aves deste grupo. Distinguem-se de outras aves de rapina, ditas "ignóbeis", onde se incluem dezenas de espécies rapaces, que ao longo da evolução desenvolveram distintas faculdades para procurar o alimento e se especializaram sobre determinados leques alimentares, tendo cada espécie desenvolvido técnicas próprias, incluindo a pesca, a caça nocturna, os hábitos necrófagos, ou mesmo dietas exclusivamente necrófagas. As aves nobres de cetraria constituem, pois um grupo reduzido de espécies do qual distinguimos duas grandes linhagens: "as aves de altovoo", pertencentes ao género Falco, e "as aves de baixo-voo", pertencentes ao género Accipiter. São também utilizadas em cetraria, embora excepcionalmente, algumas espécies do género Aquila. Em todas as aves de presa existe um marcado dimofismo sexual. As fêmeas de todas as espécies são maiores que os machos, recebendo na nomenclatura cetreira o nome de primas, por serem sempre as preferidas para a caça. O macho recebe o nome de treçó por ter, sensivelmente, um terço do peso da fêmea.. Este tão marcado dimorfismo sexual, contrário ao da maioria das espécies de aves e de mamíferos, em que o macho é invariavelmente maior, foi determinado pela evolução e explicado de forma esclarecedora por Diogo Ferreira na sua obra sobre a Caça de Altanaria, publicada em 1616:
" Assim proveo a natureza as aves de rapina, sabendo que as mães são as que mais amam os filhos, pelo que fez as femeas mais animosas e maiores de corpo, e mais voadoras e de mais força que os machos, para que com as azas alcançassem as outras aves e com as forças as derribassem, e com as unhas garras e bico as poderem facilmente matar . E sendo as aves grandes tivessem forças para as poderem levar ao ninho donde estão os filhos que há-de manter e criar, pelo que os machos nas aves de rapina são mui pequenos e fracos, donde veiu aquele adagio antigo dos caçadores: Ave treçuela ni mata, ni buela". Alto-voo e Baixo-voo: duas técnicas de caça
É a mais espectacular das modalidades de voo de
caça em que se utilizam normalmente falcões.
Modalidade de caça na qual se utilizam açores,
gaviões e algumas espécies do género aquila.
OS FALCÕES AVES DE ALTO-VOO "O Sacre com chuva, o gerifalte com vento, o nebri com bom tempo"
Falcão Sacre O falcão sacre é um falcão das regiões
desérticas e das estepes da Europa Oriental, Ásia Central e Médio Oriente.
Falcão Gerifalte Os gerifaltes são falcões da região
circumpolar ártica. São os maiores, os mais vigorosos e os mais belos de entre todos os
falcões.
Falcão Peregrino O falcão peregrino é considerado o
"Príncipe das aves de caça", sendo uma das espécies mais apreciadas para os
lances de altanaria devido à velocidade dos seus ataques em voo picado. Falcão Bafari, ou Baarii (falco peregrinus brokey) - Expressão árabe que significa marinho, ou costeiro. Nome dado na nomemclatura cetreira à subespécie ibérica do falcão peregrino, sendo uma das aves com maior tradição peninsular. Falcão Nebri (falco peregrinus peregrinus e falco peregrinus calidus) - Termo português antigo que designa as subespécies de falcões peregrinos da Europa do Norte. A plumagem destas aves é mais clara e contrastada evidenciando uma grande beleza. Além disso, os falcões nebris são maiores e mais pesados que os peregrinos ibéricos, motivo pelo qual eram tidos em grande apreço pelos falcoeiros da Europa do Sul. Falcão Tagarote (falco peregrinus pergrinoides) - Termo que designa a subespécie do falcão peregrino do Norte de África, também conhecido por falcão da Barbéria. Eram trazidos para a penísula pelos mercadores do mediterrâneo, sendo o mais pequeno representante da espécie.
Falcão Lanário São falcões pré desérticos, parecidos com os
sacres mas de menor envergadura. Eram normalmente utilizados como "atalaias",
levados sem caparão a fim de detectarem à distância as presas no terreno, sobre as
quais eram depois lançados os sacres, os peregrinos e os gerifaltes. Falcão Borni (falco biarmicus feldeggii) - subespécie europeia do falcão lanário. Falcão Alfaneque (falco biarmicus erlanggerii) - subespécie ocorrente no Norte de África.
Falcão Esmerilhão É o mais pequeno dos falcões de caça, cujo
peso raramente excede os 300g. Apesar do seu diminuto tamanho, o falcão esmerilhão é
muito veloz e acrobático, sendo dotado de extraordinária valentia, o que leva a atacar
presas de muito maiores dimensões como perdizes e alcaravões.
AS AVES DE BAIXO-VOO
Gaviões O gavião é como uma miniatura de açor. Foi
talvez a ave mais popular da cetraria medieval. "Ave de Porcelana" assim lhe
chamavam por ser bonito e frágil. De facto o seu adestramento e manuseamento são
delicados devido ao seu carácter nervoso e assustadiço.
Açor O açor é a ave clássica da caça de Baixo-voo.
Foi uma das espécies mais utilizadas na cetraria antiga, em período anterior às
cruzadas.
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