MÓDULO 3 – METODOLOGIAS DE FORMAÇÃO

UNIDADE 3 O trabalho individualizado dentro dos grupos de formação

 

 

Objectivos específicos:

- Caracterizar o trabalho individualizado na aprendizagem colaborativa / cooperativa;
- Descrever as estratégias do formador / e-moderador;
- Definir os elementos básicos da aprendizagem colaborativa;
- Enumerar as suas vantagens, a nível pessoal e no contexto de grupo;
- Enumerar as principais ferramentas de trabalho individualizado na aprendizagem de grupo.

 

Conceitos-chave:

Trabalho individualizado; interacções em grupo e interpessoais; comunidade aprendente; opiniões; argumentação; debate; espírito de curiosidade; tarefas do mundo real / realidade prática; “aprender a aprender”; motivação inicial, motivação progressiva; interdependência; convergência de necessidades e interesses; heteroavaliação.

Antes de iniciarmos a análise sobre a temática desta Unidade 3 e da Unidade 4, nomeadamente o papel individualizado do formando num grupo de formação colaborativa e a importância das principais questões, relacionadas com a componente de socialização nesse mesmo grupo, parece-nos essencial fazer algumas breves reflexões. Estas pressupõem necessariamente, como infraestrutura teórica, toda a informação que foi transmitida em sala, respectivamente nas anteriores Unidades 1 e 2.
É sabido que a aprendizagem ocorre a nível individual, mas é influenciada por um conjunto de factores externos, que incluem interacções em grupo e interpessoais.

Assim, quase todos os teóricos da aprendizagem, entre eles Piaget e Vygotsky, enfatizam a importância das trocas sociais, visando o desenvolvimento dessa mesma aprendizagem. Individual-Social: Piaget-Vyotsky

Neste contexto, o formando deverá ser submetido a dois tipos de abordagem: como indivíduo, responsável pela sua própria aprendizagem, através da construção do seu próprio conhecimento e, enquanto elemento de um grupo, contribuindo para o valor acrescentado, em termos de entidade “colectiva” de aprendizagem. Estas duas abordagens estão interrelacionadas.

Assim, no que respeita à perspectiva de grupo, existem vários aspectos a considerar, que partem de uma situação de aprendizagem individualizada do formando:

Interdependência

Interacção

Pensamento divergente

Avaliação

Interdependência – Os formandos, enquanto grupo têm um objectivo a prosseguir, devendo trabalhar eficazmente em conjunto para o atingir.
Em primeiro lugar, porque, individualmente, são responsáveis pela sua aprendizagem; e em segundo, porque lhes compete contribuir para a facilitação da aprendizagem de todos os membros do seu grupo, e também de formandos de outros grupos.

Interacção – Há que salientar, que um dos principais objectivos da aprendizagem colaborativa consiste em melhorar a competência para trabalhar em equipa.
A título individual, cada membro do grupo deve assumir a sua tarefa, de modo integral, disponibilizando espaço e tempo para a partilhar com os restantes elementos. Em contrapartida, deverá estar aberto a receber as suas contribuições.
Competências de cariz pessoal, como a participação, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação são também muito desenvolvidas.

Pensamento divergente – Não deverá haver nenhum elemento do grupo, que se posicione ostensivamente como líder ou como elemento “mais proeminente”.
As actividades requerem colaboração e não mero espírito de competição. Interessará atingir uma convergência de necessidades e interesses.

Avaliação – Os principais métodos de avaliação baseiam-se em perguntas, exercícios, observações da interacção do grupo e heteroavaliação.

Poderemos concluir

que a aprendizagem colaborativa apresenta um conjunto de vantagens, a dois níveis: pessoal e social / grupal.

A nível pessoal:

Aumenta as competências sociais, de interacção e comunicação;
Incentiva o desenvolvimento do pensamento crítico e a abertura mental;
Permite conhecer diversos assuntos e adquirir nova informação;
Reforça o conceito de responsabilização;
Minimiza os sentimentos de isolamento e receio da crítica;
Aumenta a auto-segurança, a auto-estima e a satisfação pelo próprio trabalho;
Fortalece a solidariedade e o respeito mútuo, com base nos resultados do grupo.


A nível de grupo:

Permite alcançar objectivos mais ricos em conteúdo;
Desenvolve a aprendizagem partilhada, através da valorização dos conhecimentos dos outros;
Transforma a aprendizagem numa actividade eminentemente social.

De entre os objectivos, com enfoque no trabalho individualizado, salientamos os seguintes:

Estimular o desenvolvimento da expressão (através da justificação das opiniões, da argumentação e do debate);

Adoptar o conceito da aprendizagem, como uma actividade para toda a vida (“aprender a aprender”);

Aumentar a motivação, através da contextualização do processo de aprendizagem em tarefas do mundo real.

Todas estas questões pressupõem a motivação do formando.
Referimo-nos, mais especificamente, ao tipo de motivação progressiva, que se revela da maior relevância. A motivação inicial não é suficiente para se manter ao longo de um esforço prolongado, sobretudo, quando o formador e o formando se encontram fisicamente separados, a distância. Quanto ao

trata-se de criar uma situação pedagógica, baseada numa estratégia geral com determinadas fases:

Definir os objectivos, a curto e a longo prazo;

Dar ao formando instrumentos, para que ele possa avaliar os seus progressos;

Fazer pontualmente a síntese do que foi aprendido;

Apresentar a necessidade de estabelecer uma relação entre a formação teórica e a realidade prática;

Considerar o mundo do formando (as suas ideias, a sua lógica, os seus códigos, o seu processo de assimilação);

Despertar e manter a sua curiosidade;

Proporcionar-lhe oportunidades de sucesso.

A partir daqui, o formador definirá uma tutoria activa, concebida como uma verdadeira gestão integral, em que representa as funções de especialista, em relação ao curso e de orientador, em relação aos formandos.
Recorrendo a várias ferramentas informáticas, orientará o processo de ensino/aprendizagem, conhecendo a situação, em que o formando se encontra - se está no início do estudo, se interrompeu ou terminou. Em função de cada uma destas situações, assumirá atitudes orientadoras e motivadoras.
O seu objectivo principal consistirá em utilizar um plano personalizado de atenção, iniciando um processo de comunicação activa e recorrendo a suportes ou ambientes de comunicação escolhidos pelos formandos, que vão desde o telefone, a um ambiente virtual de aprendizagem.
O incentivo ao formando para utilizar estratégias metacognitivas http://www.ncrel.org/sdrs/areas/issues/students/learning/lr1metn.htm deverá ser sobretudo orientado para a interacção, procurando estabelecer a relação entre a tarefa específica a realizar, e as competências e tácticas adequadas à sua resolução.

De uma forma genérica, as referidas estratégias incluem rotinas e práticas de estudo; enfoque da atenção numa tarefa única, evitando a dispersão; construção de sumários e esquemas; procedimentos de auto-correcção e auto-avaliação, etc.

No entanto, convirá salientar que os sistemas de aprendizagem individualizada devem deixar ao formando o poder de iniciativa, embora também se deva ter em conta os perigos de uma liberdade excessiva, em termos pedagógicos.
Outro aspecto a considerar prende-se com o estilo de aprendizagem do formando, influenciando a escolha dos média, a forma de apresentação e até o próprio conteúdo. Resta ainda acrescentar, que também tem influência na própria moderação dos cursos.
Contudo, muitas vezes, torna-se difícil para o formador em situação de e-learning conhecer todos os estilos dos formandos antecipadamente. Neste caso, poderá recorrer a várias estratégias, que vão desde a leitura e os debates online, às simulações, ao estudo de casos, e às experiências colaborativas de grupo. Proporciona, assim, um curso variado, capaz de motivar todos os formandos.
Com vista a superar as dificuldades atrás referidas, os formadores poderão ainda utilizar questionários de expectativas; identificando os formandos que carecem de atenção especial; e considerar as suas observações e os seus comentários.

Toda este tipo de actuação por parte do formador / e-moderador, no sentido de levar a um adequado trabalho individualizado, por parte do formando, pressupõe o recurso a diversas ferramentas, tais como: o correio electrónico, a transferência de ficheiros (FTP), as listas de correio, os fóruns, o IRC/Chat, a conferência computadorizada, a videoconferência e a WWW. No entanto, todas estas tecnologias também constituem o suporte da aprendizagem em grupo, como já desenvolvemos na Unidade 2.

Neste momento, interessa-nos mencionar as principais vantagens do trabalho individualizado, num contexto de aprendizagem colaborativa:

Os formandos tímidos têm oportunidade de se integrar nas actividades mais facilmente;
Os formandos lentos passam a sentir-se menos preocupados;
Os trabalhos podem ser anónimos, sempre que os formandos o desejem;
O sentido “de propriedade”, em relação à construção do conhecimento por cada formando.

 

RESUMO

O enfoque colocado no trabalho individualizado no contexto colaborativo;
As estratégias do formador / e-moderador;
As vantagens das principais ferramentas tecnológicas.

 

LINKS de interesse

 

http://www.lgu.ac.uk/deliberations/collab.learning/panitz2.html
http://carbon.cudenver.edu/~lsherry/courses/isaacs.html
http://www.cs.grinnell.edu/~walker/coll-learning/