| |
Objectivos específicos:
- Caracterizar o trabalho individualizado na aprendizagem
colaborativa / cooperativa;
- Descrever as estratégias do formador / e-moderador;
- Definir os elementos básicos da aprendizagem colaborativa;
- Enumerar as suas vantagens, a nível pessoal e no contexto
de grupo;
- Enumerar as principais ferramentas de trabalho individualizado
na aprendizagem de grupo.
|
Conceitos-chave:
 |
Trabalho individualizado; interacções
em grupo e interpessoais; comunidade aprendente; opiniões;
argumentação; debate; espírito de curiosidade;
tarefas do mundo real / realidade prática; “aprender
a aprender”; motivação inicial, motivação
progressiva; interdependência; convergência de necessidades
e interesses; heteroavaliação. |
Antes de iniciarmos a análise sobre a temática
desta Unidade 3 e da Unidade 4, nomeadamente
o papel individualizado do formando num grupo
de formação colaborativa e a importância das principais
questões, relacionadas com a componente de socialização
nesse mesmo grupo, parece-nos essencial fazer algumas
breves reflexões. Estas pressupõem necessariamente, como
infraestrutura teórica, toda a informação que foi
transmitida em sala, respectivamente nas anteriores Unidades 1
e 2.
É sabido que a aprendizagem ocorre a nível individual, mas
é influenciada por um conjunto de factores externos, que incluem
interacções em grupo e interpessoais.
Assim, quase todos os teóricos da aprendizagem,
entre eles Piaget e Vygotsky,
enfatizam a importância das trocas sociais, visando o desenvolvimento
dessa mesma aprendizagem. Individual-Social:
Piaget-Vyotsky
Neste contexto, o formando deverá ser submetido
a dois tipos de abordagem: como indivíduo,
responsável pela sua própria aprendizagem, através
da construção do seu próprio conhecimento e, enquanto
elemento de um grupo, contribuindo para
o valor acrescentado, em termos de entidade “colectiva” de
aprendizagem. Estas duas abordagens estão interrelacionadas.
Assim, no que respeita à perspectiva
de grupo, existem vários aspectos a considerar, que partem
de uma situação de aprendizagem
individualizada do formando:
Interdependência
Interacção
Pensamento divergente
Avaliação
Interdependência
– Os formandos, enquanto grupo têm um objectivo a prosseguir,
devendo trabalhar eficazmente em conjunto para o atingir.
Em primeiro lugar, porque, individualmente, são responsáveis
pela sua aprendizagem; e em segundo, porque lhes compete contribuir para
a facilitação da aprendizagem de todos os membros do seu
grupo, e também de formandos de outros grupos.
Interacção
– Há que salientar, que um dos principais objectivos da aprendizagem
colaborativa consiste em melhorar a competência para trabalhar em
equipa.
A título individual, cada membro do grupo deve assumir a sua tarefa,
de modo integral, disponibilizando espaço e tempo para a partilhar
com os restantes elementos. Em contrapartida, deverá estar aberto
a receber as suas contribuições.
Competências de cariz pessoal, como a participação,
a coordenação, o acompanhamento e a avaliação
são também muito desenvolvidas.
Pensamento divergente
– Não deverá haver nenhum elemento do grupo, que se
posicione ostensivamente como líder ou como elemento “mais
proeminente”.
As actividades requerem colaboração e não mero espírito
de competição. Interessará atingir uma convergência
de necessidades e interesses.
Avaliação
– Os principais métodos de avaliação baseiam-se
em perguntas, exercícios, observações da interacção
do grupo e heteroavaliação.
 |
Poderemos
concluir |
que a aprendizagem colaborativa apresenta um conjunto
de vantagens, a dois níveis: pessoal e social / grupal.
|
A nível de grupo:
Permite alcançar objectivos mais ricos em conteúdo;
Desenvolve a aprendizagem partilhada, através da valorização
dos conhecimentos dos outros;
Transforma a aprendizagem numa actividade eminentemente social.
|
De entre os objectivos, com enfoque no trabalho
individualizado, salientamos os seguintes:
Estimular o desenvolvimento da expressão (através
da justificação das opiniões, da argumentação
e do debate);
Adoptar o conceito da aprendizagem, como uma actividade para toda a vida
(“aprender a aprender”);
Aumentar a motivação, através da contextualização
do processo de aprendizagem em tarefas do mundo real.
Todas estas questões pressupõem a motivação
do formando.
Referimo-nos, mais especificamente, ao tipo de motivação
progressiva, que se revela da maior relevância. A motivação
inicial não é suficiente para se manter ao longo de um esforço
prolongado, sobretudo, quando o formador e o formando se encontram fisicamente
separados, a distância. Quanto ao

trata-se de criar uma situação pedagógica, baseada
numa estratégia geral com determinadas fases:
Definir os objectivos, a curto e a longo prazo;
Dar ao formando instrumentos, para que ele possa avaliar os seus progressos;
Fazer pontualmente a síntese do que foi aprendido;
Apresentar a necessidade de estabelecer uma relação entre
a formação teórica e a realidade prática;
Considerar o mundo do formando (as suas ideias, a sua lógica, os
seus códigos, o seu processo de assimilação);
Despertar e manter a sua curiosidade;
Proporcionar-lhe oportunidades de sucesso.
A partir daqui, o formador definirá uma
tutoria activa, concebida como uma verdadeira gestão
integral, em que representa as funções de especialista,
em relação ao curso e de orientador, em relação
aos formandos.
Recorrendo a várias ferramentas informáticas,
orientará o processo de ensino/aprendizagem, conhecendo a situação,
em que o formando se encontra - se está no início do estudo,
se interrompeu ou terminou. Em função de cada uma destas
situações, assumirá atitudes orientadoras e motivadoras.
O seu objectivo principal consistirá em utilizar um plano
personalizado de atenção, iniciando um processo
de comunicação activa e recorrendo a suportes ou ambientes
de comunicação escolhidos pelos formandos, que vão
desde o telefone, a um ambiente virtual de aprendizagem.
O incentivo ao formando para utilizar estratégias
metacognitivas http://www.ncrel.org/sdrs/areas/issues/students/learning/lr1metn.htm
deverá ser sobretudo orientado para a interacção,
procurando estabelecer a relação entre a tarefa específica
a realizar, e as competências e tácticas adequadas à
sua resolução.
De
uma forma genérica, as referidas estratégias incluem
rotinas e práticas de estudo; enfoque da atenção
numa tarefa única, evitando a dispersão; construção
de sumários e esquemas; procedimentos de auto-correcção
e auto-avaliação, etc. |
No entanto, convirá salientar que os sistemas
de aprendizagem individualizada devem deixar
ao formando o poder de iniciativa, embora também se deva ter em
conta os perigos de uma liberdade excessiva, em termos pedagógicos.
Outro aspecto a considerar prende-se com o estilo
de aprendizagem do formando, influenciando a escolha dos
média, a forma de apresentação e até o próprio
conteúdo. Resta ainda acrescentar, que também tem influência
na própria moderação dos cursos.
Contudo, muitas vezes, torna-se difícil para o formador em situação
de e-learning conhecer todos os estilos dos
formandos antecipadamente. Neste caso, poderá recorrer a várias
estratégias, que vão desde a leitura
e os debates online, às simulações,
ao estudo de casos, e às
experiências colaborativas de grupo.
Proporciona, assim, um curso variado, capaz de motivar todos os formandos.
Com vista a superar as dificuldades atrás referidas, os formadores
poderão ainda utilizar questionários
de expectativas; identificando os formandos que carecem
de atenção especial; e considerar as suas observações
e os seus comentários.
Toda
este tipo de actuação por parte do formador / e-moderador,
no sentido de levar a um adequado trabalho individualizado, por
parte do formando, pressupõe o recurso a diversas ferramentas,
tais como: o correio electrónico, a transferência de
ficheiros (FTP), as listas de correio, os fóruns, o IRC/Chat,
a conferência computadorizada, a videoconferência e
a WWW. No entanto, todas estas tecnologias também constituem
o suporte da aprendizagem em grupo, como já desenvolvemos
na Unidade 2. |
Neste momento, interessa-nos mencionar as principais
vantagens do trabalho
individualizado, num contexto de aprendizagem colaborativa:
Os formandos tímidos têm oportunidade de se integrar nas
actividades mais facilmente;
Os formandos lentos passam a sentir-se menos preocupados;
Os trabalhos podem ser anónimos, sempre que os formandos o desejem;
O sentido “de propriedade”, em relação à
construção do conhecimento por cada formando.
 |
RESUMO |
O enfoque colocado no trabalho individualizado no contexto colaborativo;
As estratégias do formador / e-moderador;
As vantagens das principais ferramentas tecnológicas. |
LINKS de interesse
http://www.lgu.ac.uk/deliberations/collab.learning/panitz2.html
http://carbon.cudenver.edu/~lsherry/courses/isaacs.html
http://www.cs.grinnell.edu/~walker/coll-learning/
|
|